Kenneth George Aston nasceu no dia 1º de setembro de 1915, em Colchester. Começou a atuar como árbitro em 1935, ministrando aulas de futebol a garotos, e após a Segunda Guerra Mundial, se tornou um juiz profissional. Esteve à frente de seu tempo, e não apenas fazia seu trabalho em campo, como também pensava sua profissão. Foi graças a ele que se padronizou o uniforme na cor preta com as golas e mangas brancas, utilizado por longos anos pelos donos do apito. 

Em 47, durante uma partida em Londres, Aston não conseguia ver direito as sinalizações de seus árbitros auxiliares, por conta da forte neblina. Foi então, que teve a simples ideia de fazer uma bandeira com cores vivas e facilmente identificáveis, como o vermelho e amarelo. A partir daí, a bandeirinha colorida logo se popularizou.

Suas atuações e ideias chamavam a atenção, e naturalmente, se tornou um dos principais juízes de futebol da Inglaterra. Foi o árbitro do segundo jogo da final da primeira Copa Intercontinental, entre Real Madrid e Peñarol, em 1960. Em 62, na Copa do Mundo do Chile, teve uma grande prova de fogo. Os donos da casa enfrentariam a Itália, e o clima pré-jogo era péssimo, com acusações de jornalistas de ambas as partes. Com a bola rolando, as cenas lamentáveis tomaram conta, e Aston precisou expulsar dois italianos: Giorgio Ferrini e Mario David. Porém, deixou impune o chileno Leonel Sánchez que quebrou o nariz do ítalo-argentino Humberto Maschio, com uma forte cotovelada. Posteriormente, Sánchez foi punido com base nas imagens de vídeo, a primeira punição da história utilizando uma filmagem do jogo. Estranhamente, apesar da decisão, o jogador seguiu jogando normalmente a competição.

Como se sabe, as advertências e punições eram dadas verbalmente pelos árbitros. E volta e meia aconteciam problemas, principalmente se jogador e juiz não falassem a mesma língua. Como na Copa de 66, no jogo entre Inglaterra e Argentina. O argentino Rattín foi expulso pelo alemão Kreitlin, que fazia uma arbitragem, digamos, tendenciosa aos ingleses. Sem uma comunicação adequada entre os dois, Rattín levou cerca de 10 minutos para deixar o campo. Aston já trabalhava para a FIFA a convite de Stanley Rous, e ao parar em um semáforo na Kensington High Street, teve um insight: "A luz ficou vermelha e eu pensei: 'amarelo, pegue leve; vermelho, pare! Você tá fora!'"

Mas a invenção que mudou o futebol foi usada pela primeira vez apenas na Copa de 1970, no México, no jogo entre os anfitriões e a União Soviética. O alemão Kurt Tschenscher aplicou o amarelo ao soviético Lovchev, aos 31 minutos de jogo, após entrada dura em Valdívia. O vermelho também foi instituído a partir de 70, mas em Copas, só foi mostrado quatro anos depois, para o chileno Carlos Caszely, pelo árbitro turco Dogan Babacan, no primeiro jogo daquele Mundial, contra a dona da casa, a Alemanha Ocidental.

A partir daí, o trabalho de Aston nos bastidores passou a ser ainda mais presente, contribuindo com a FIFA e ministrando diversos cursos pelo mundo. "O jogo deve ser uma peça de teatro em dois atos, com 22 jogadores no palco e o árbitro como diretor. Não há roteiro, enredo, ninguém sabe o final, mas a ideia é proporcionar diversão". Em 23 de outubro de 2001, o árbitro soou o apito final. Mas Aston é homenageado, mesmo que inconscientemente, a cada cartão aplicado. Seja ele aplicado corretamente ou não.



O local era o estádio El Morro, em Talcahuano, um dos lugares pioneiros na prática do futebol no Chile e "primeiro porto militar industrial e pesqueiro" do país, como diz o lema da cidade. Era um dia de janeiro de 1914, e a bola veio alta para o meio de campo. Viajou até a uma altura pouco acima das cabeças dos jogadores, e foi chutada de maneira extraordinariamente inédita. Um daqueles homens saltou de costas para o chão, colocando uma das pernas a um ângulo de aproximadamente 90 graus e arrematou a bola acrobaticamente por cima de sua própria cabeça. Era o início da história de um dos lances mais belos e emblemáticos do futebol. O chute de bicicleta.

O autor dessa obra foi Ramón Unzaga Asla, um basco nascido em Bilbao em 1894. Em 1906, aos 12 anos, foi levado por seus pais ao Chile, se estabelecendo em Talcahuano. Lá, se formou em contabilidade e passou a trabalhar em uma mineradora. Em 1912, aos 18 anos, adotou a nacionalidade chilena e começou a jogar futebol em pequenos clubes amadores da cidade. Também praticava outro esportes, como natação, pólo aquático e atletismo, onde era um exímio saltador. Ganhou diversas competições em todos eles, mas foi jogando futebol que entrou para a história ao criar a chilena, que se tornou conhecida no Brasil como "bicicleta". Inicialmente, o lance foi apelidado de chorera, em homenagem à equipe local, apelidada de Escuela Chorera, pelos inúmeros talentos que formava. Posteriormente, no Sul-Americano de 1920 em Viña del Mar, no Chile, o lance recebeu o apelido de chilena da imprensa argentina, e foi ainda mais popularizado por David Arellano, histórico jogador do Colo-Colo. 

Unzaga estreou na seleção nacional em 2 de julho, na primeira partida do Sul-Americano de 1916, saindo com uma derrota por 4 a 0 frente ao Uruguai. Chamou a atenção de vários clubes argentinos e uruguaios, mas sempre negou qualquer investida, tendo atuado apenas no Club Atletico Estrella del Mar (clube que é chamado hoje de Club Deportivo Nueva Estrella del Mar). Marcou um único gol pela La Roja, em um amistoso contra a Federação Platense. Mas errado está quem imagina que Unzaga praticava a jogada com o intuito de marcar gols, como passou a ser a principal função da bicicleta. Unzaga era centro-médio,(atuando na linha de três do 2-3-5, ou sistema clássico) e utilizava desse artifício para rechaçar a bola o mais distante possível - lance similar no Brasil era chamado de Belfort, por conta de Belfort Duarte. 

"Seus interesses eram trabalhar, estudar e jogar. Era um basco com todos os defeitos de um basco, como o gênio ruim, que lhe deram vários problemas dentro e fora dos campos", disse seu neto, Ramón Unzaga Muñoz, em uma entrevista ao jornal chileno La Tercera. Certa vez, após ser advertido pelo árbitro por praticar a chilena, tentou argumentar que a jogada era legal. Acabou expulso de campo, e não saiu sem antes trocar alguns socos com o juiz. Em outro lance de expulsão, Unzaga voltou ao gramado com uma pistola dando tiros pra cima e encerrando a partida. Muñoz, que atua como professor universitário, foi obrigado a seguir carreira universitária por seu pai, Ramón Unzaga Zapata, que jogou como goleiro profissional. 

Por incrível que pareça, Ramón Unzaga Asla faleceu muito novo, com apenas 29 anos no dia 31 de agosto de 1923, vítima de um ataque cardíaco. Em Talcahuano, o estádio El Morro recebeu o nome de Ramón Unzaga Asla, e hoje há um monumento em homenagem ao criador e à criatura, inaugurado em 2014, por ocasião do centenário da jogada que encanta a todos por sua plasticidade.

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Texto postado originalmente em 29 de novembro de 2015 e editado em 12 de maio de 2019.


No dia 8 de dezembro de 1987, uma tragédia da aviação abalou o futebol peruano. O Fokker F-27 da Marinha de Guerra do Peru caiu no mar de Ventanilla, próximo ao aeroporto Jorge Chávez, em Lima, vitimando 43 pessoas, entre elas a equipe do Alianza Lima, que contava com 17 jogadores e Marcos Calderón, técnico do Peru na Copa de 78 e campeão da Copa América de 75. Na tarde anterior, o Alianza havia enfrentado o Deportivo Pucallpa pela 18ª rodada do campeonato peruano, e venceu por 1 a 0 com um belo gol de Carlos Bustamante.

Os mistérios em torno das causas do acidente deixaram um rastro de histórias e lendas. A hipótese mais provável é a de falha humana, e que foi revelada apenas em 2006. De acordo com um relatório de 1988, da Junta de Investigação de Acidentes de Aviação Naval, ao iniciar os procedimentos de pouso, às 08h02, o painel de comando da aeronave indicava que o trem de pouso não havia sido acionado corretamente. O piloto Edilberto Villar realizou por duas vezes uma manobra arriscada, balançando o avião bruscamente para cima e para baixo, tentando forçar o trem de pouso. Já próximo da torre de controle, Villar pediu a verificação visual, e foi informado que os três trens de pouso da aeronave estavam em perfeitas condições para a aterrissagem. Inexperiente, Villar, nem seu co-piloto Fernando Morales, percebem que o avião estava perdendo altitude. A asa direita se choca no mar, e o impacto na água despedaça o avião em quatro partes. 

Mas por incrível que pareça, um homem saiu ileso do acidente: justamente o piloto Edilberto Villar. Entretanto, o paradeiro dele é desconhecido. Villar nunca falou com a imprensa. A mídia peruana especula que ele tenha abandonado o país com outra identidade - e espanta pensar que nenhum jornalista tenha tido êxito ao tentar procurá-lo. Naturalmente, esse sumiço gerou ainda mais razões para a criação de teorias. A principal delas é a de que o avião trazia um carregamento de cocaína e teria sido derrubado pela Marinha. Parentes de alguns jogadores e alguns jornalistas esportivos sustentam essa hipótese, e de que muitas das vítimas teriam sido baleadas durante a ação de derrubada da aeronave.

Outra história, não menos extraordinária, dá conta de que Villar teria ficado em Puccalpa, e o co-piloto Morales comandou o voo. Após a queda, para evitar o escândalo, a Marinha orquestrou um teatro e colocou Villar no mar. Para muitos, a única explicação possível para alguém sair vivo de um acidente desses.

Além dos mitos que envolvem a queda, há ainda aqueles que creem que Villar não foi o único sobrevivente. Segundo o testemunho do piloto, o jogador Alfredo Tomasini sobreviveu à queda, mas com a perna fraturada, não resistiu à força do mar e acabou sumindo. Seu corpo, assim como os de Escobar, Mendoza, León e Bustamante, jamais foram encontrados. Com o passar dos anos, diversos relatos indicavam a aparição de Tomasini, tanto no Peru, quanto em outros países. 

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Abaixo, uma lista com 29 das 43 vítimas fatais do acidente com o Fokker F-27 (o nome das outras pessoas não foi encontrado na pesquisa):

Jogadores:
José Manuel “Caico” Gonzalez Ganoza (tio do jogador Paolo Guerrero, que na época, tinha 3 anos)
César Sussoni
Tomás Lorenzo “Pechito” Farfán
Daniel Reyes
Johnny Watson
Braulio Tejada
José Mendoza
Gino Peña
César Chamochumbi
Carlos Bustamante
Milton Cavero
Luis Antonio Escobar
Ignacio Garretón
José Casanova
Alfredo Tomassini
William León
Aldo Sussoni

Integrantes da comissão técnica e direção:
Marcos Calderón Medrano
Andrés Eche Chunga
Washington Gómez
Rolando Gálvez
Orestes Suárez
Rodolfo Lazo Alfaro
Santiago Miranda Mayorga

Tripulantes:
Fernando Morales (co-piloto)

Torcedores:
Óscar Colmenares Urteaga

Árbitros:
Manuel Alarcón
Samuel Alarcón
Miguel Piña

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O acidente ceifou a vida daqueles jogadores, mas não impediu que o Alianza Lima pudesse tentar acabar com um jejum que durava desde 78, e que só foi quebrado 10 anos depois, em 1997. Naquele momento, os "Potrillos" eram os líderes da competição, e conquistaram posteriormente o Torneo Descentralizado, com o reforço do ídolo Teofilo Cubillas (que jogou de graça) e com o reforço de quatro jogadores do Colo-Colo, que se solidarizou e cedeu os atletas. Mas na grande final acabaram derrotados por 1 a 0, diante do campeão do Torneo Regional, o Universitario.

A tragédia serviu de inspiração para Augusto Polo Campos, um dos mais importantes compositores do Peru, que escreveu a música "De la victoria a la gloria" em homenagem às vítima daquele voo.

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Reportagem publicada originalmente no blog Escrevendo Futebol em 10 de dezembro de 2015 e editada em 12 de maio de 2019. 



Certa vez, em um jogo de competição europeia, o capitão do Napoli, Claudio Vinzazzani, estendeu a mão para o árbitro espanhol. O homem vestido de preto negou o cumprimento. 

- Vocês, italianos, são como os espanhóis: uns filhos da puta!
- Ora, mas você é espanhol!
- Eu não! Eu sou basco! 

O basco em questão era o árbitro Emilio Carlos Guruceta Moro, um dos nomes mais conhecidos da arbitragem espanhola. Por sua qualidade, mas principalmente por uma das maiores polêmicas de arbitragem do futebol espanhol.

Nascido em 4 de novembro de 1941, em San Sebastián, estreou na primeira divisão espanhola em 21 de setembro de 1969, aos 28 anos, no jogo Zaragoza 2x1 Pontevedra, sendo o mais novo árbitro da história do campeonato espanhol até então, marca batida apenas em 2012. Logo percebeu que tinha potencial midiático, e tentava fazer o que muitos fazem até hoje: aparecer mais que os jogadores. Dificilmente os juízes são lembrados por coisas boas. Invariavelmente, é um erro que marca eternamente suas vidas. Com Guruceta não seria diferente.

Na mesma temporada de estreia, foi selecionado para apitar o El Clasico, válido pela volta das quartas-de-final da Copa Generalísimo (o nome dado a atual Copa do Rei). O Real Madrid havia vencido a ida por confortáveis 2 a 0. O Barcelona vencia o segundo jogo por 1 a 0, gol de Rexach. Na época, saldo de gols não era critério de desempate em duelos de ida e volta, o que forçaria a disputa de uma terceira partida. Aos 14 minutos do segundo tempo, Velásquez avança em direção ao gol blaugrana e é prontamente derrubado por Rifé, a cerca de um metro de distância da grande área. Mas o juiz marcou penalidade máxima. Ou melhor, inventou. Após 8 minutos de paralisação e da expulsão do capitão do Barça, Eladio, o jogo prosseguiu e Amancio igualou o placar. A torcida, furiosa, arremessava o que tinha ao alcance das mãos e próximo aos 40 minutos, invadiu o gramado, forçando o árbitro a terminar o jogo e sair do Camp Nou escoltado

Pelo erro, Guruceta foi suspenso por 6 meses e ficou sem apitar jogos do Barcelona por 15 anos. Voltou ao quadro de arbitragens local e logo se tornou internacional. Dirigiu partidas dos Jogos Olímpicos de Montreal 76 e Moscou 80. Em 79, protagonizou outro caso curioso. Na Universíada, no jogo entre Paraguai e Coreia do Sul, expulsou todos os jogadores paraguaios. Anos depois, já estabelecido como um dos principais árbitros do país, tinha como única preocupação dirigir os jogos do restante da temporada 86/87, em que iria se aposentar do apito ao seu final. Já preparava o terreno para sua vida pós-arbitragem, já que havia aberto anos antes uma fábrica de calçados esportivos com seu nome.  

No dia 25 de fevereiro de 1987, dirigia sua BMW em direção a Pamplona junto de seus árbitros auxiliares, onde apitaria o jogo entre Osasuña e Real Madrid, pela Copa do Rei. A chuva forte fez com que o carro aquaplanasse na pista e se chocasse em um caminhão que estava parado no acostamento. Era o fim da carreira e da vida de Guruceta. Deixou esposa e dois filhos pequenos, um garoto de 5 anos e uma menina de apenas 1 ano. O auxiliar Eduardo Vital Torres também não resistiu. Apenas o outro auxiliar, Antonio Coyes Antón sobreviveu.

Em meio aos jogos da Copa do Rei, o centro das atenções, como acontecia muitas vezes em que apitava, voltou a Guruceta, dessa vez por sua morte. A imprensa espanhola repercutiu o acidente do árbitro com reportagens de várias páginas, e em uma época com menos tato humano no jornalismo, as páginas estampavam a cruel imagem do homem ensanguentado

Em sua homenagem, o jornal madrilenho Marca instituiu o Troféu Guruceta, dado ao melhor árbitro do campeonato espanhol. A partir de 94, também passou a premiar o melhor árbitro da segunda divisão. Mas mesmo após sua morte, a polêmica não lhe deixou. Em 97, um dirigente belga do Anderlecht confessou ter pago dinheiro a Guruceta antes de uma semifinal de Copa da Uefa, contra o inglês Nottinhgam Forest. O time belga passou à final, a qual perderia para o também inglês Tottenham. O Anderlecht foi suspenso por um ano de competições continentais. 

Apesar das polêmicas e acusações de torcedores de todas as cores, apitou 186 partidas do campeonato espanhol, sendo um dos mais respeitados árbitros da história do futebol da Península Ibérica.

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Publicado originalmente no blog Escrevendo Futebol em 16 de novembro de 2015 e editado no dia 12 de maio de 2019.


O dia 23 de junho de 1968 é,certamente, o dia mais triste da história do futebol argentino. River Plate e Boca Juniors empatavam sem gols no Monumental de Nuñez. O resultado era justo e simbólico, pois com o que viria a acontecer na sequência, não seria possível comemorar ou lamentar qual fosse o resultado. 

A torcida xeneize começou a sair do estádio pouco antes do término da partida, descendo por estreitas e escuras escadarias. Por algum motivo não esclarecido, a saída de número 12 se encontrava obstruída. A pressão exercida pela multidão que vinha logo atrás dos torcedores que saíam na frente causou a morte do impressionante número de 71 pessoas, uma boa parte delas, menores de idade, além de 131 feridos. 

As versões para o que ocorreu são diversas. Os barras do River teriam saído mais cedo do que o estipulado, ido em direção ao setor de visitantes e fechado a porta de saída. As catracas se encontravam travadas e impediram a saída normal. Outra hipótese é de que a polícia é quem teria impedido a saída dos torcedores, causando o tumulto. Ou a simplicidade trágica de algum tropeço, que tenha causado uma avalanche humana em um lugar escuro e abarrotado de hinchas. Mas nenhuma autoridade deu qualquer versão oficial. É válido lembrar o conturbado período político em que a Argentina vivia, em meio a uma ditadura militar. A investigação não apresentou responsáveis. Dois dirigentes do River chegaram a ser indiciados, porém, o processo acabou arquivado. 

Com o passar dos anos, não foram poucos os relatos de visões e sons sobrenaturais nos corredores do Monumental de Nuñez. Mas nada tão assustador e terrível, quanto o que os olhos de Miguel Durrieu, um dos sobreviventes, viram naquele dia. "Haviam gritos de pânico, de muito medo. As pessoas que estavam embaixo queriam subir. Estávamos um em cima do outro sob uma terrível pressão que não permitira respirar. Caí e desmaiei. Qual foi o motivo da tragédia? Nunca soube", contou em entrevista ao Clarín.

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Abaixo, o nome das 71 vítimas fatais, com a idade que tinham na época, em parênteses.*

Acosta, Omar Adolfo (18)
Aguirre, Juan Domingo (17)
Alanís, Jorge Roque (21)
Albarracín, Pedro (17)
Alderete, Roberto César (18)
Arce, Eduardo (13)
Bonfanti, Héctor Horacio (20)
Brancato, Gustavo Aurelio (17)
Burgo, Hugo Marco (17)
Bustamante, Héctor Segundo (17)
Cadera, Carlos (20)
Caruso, Néstor Daniel (15)
Cuader, Fernando (18)
De Luca, Luis Alberto (20)
Durán, Rubén Oscar (17)
Espinoza, José A. (19)
Fernández, Paulino (27)
Fernando, Juan Horacio (31)
Ferni, Julio (15)
Ferraril, Julio César (17)
Gaete, Irineo (35)
Galindo, Néstor.
Gallo, Julio César (14)
García, Luis Alberto (15)
Gianolli, Herminio Francisco (32)
Goiello, Juan Ricardo (17)
Gómez, Carlos Alberto (24)
Gómez, José Martín.
Greco, Benedicto (15)
Gugini, Carlos Alberto (15)
Iderman, Jorge Hugo Chana (20)
Jara, Juan Carlos (14)
Landrini, Antonio (18)
Ledesma, Ramón Sorpicia (17)
Leguizamón, Juan (24)
Lezcano, Ramón Esteban (16)
Luna, Agustín Cándido.
Mansilla, Jorge Ernesto Rubén (21)
Martini, Alberto Osvaldo (18)
Mercurio, Eduardo Oscar.
Messitti, Roque (26)
Mojica, Angel Daniel.
Montalva, Jorge Alberto (20)
Morando, Luis Alberto (23)
Moreira, José Ismael (22)
Morel, Pedro Ricardo (16)
Muñiz, Ricardo Oscar (15)
Ochoa, Rubén (17)
Paillini, Rodolfo Antonio.
Pereyra, Domingo (20)
Quintana, Alfredo Aldo (31)
Quintero, José Ramón.
Quirós, Delfino o Rufino (26)
Raggi, Omar Miguel (20)
Ranello, Héctor Omar (23)
Ruiz, Raúl Oscar (15)
Santoro, Mario Héctor (23)
Silva, Rubén Eduardo (15)
Simón, Jorge A. (17)
Sittner, Juan Aurelio (18)
Soria, Rubén (20)
Sosa, Elio Baldemar (24)
Suárez, Luis Crescendo.
Sueldo, Delfo Jesús (26)
Tamburello, Antonio Omar (25)
Toledo, Nicasio Antonio (24)
Toledo, Francisco (19)
Treppini, Juan Francisco (27)
Troppini, Antonio (29)
Von Bernard, Guido Rodolfo (20)
Zugaro, Leopoldo Fernando (35)

* nomes retirados do site Que No Se Repita

Imagem: TN.com.ar



A cada vez que o chileno Colo-Colo entra em campo, o clube está acompanhado de David Arellano, que aparece na forma de uma enlutada faixa retangular pouco acima do escudo que leva o cacique mapuche. Fora do Chile, Arellano é lembrado apenas por ser um dos precursores da "bicicleta", ou da "chilena", como é conhecida a jogada acrobática na maior parte dos países de língua espanhola. Mas, além disso, Arellano foi também um dos fundadores do clube que hoje é o mais vitorioso do Chile. 

De família ligada ao esporte, David Alfonso Arellano Moraga nasceu em 29 de julho de 1902, em Santiago. No período escolar era destaque nos jogos de futebol, e aos 17 anos, foi convidado para integrar a equipe do Magallanes. Em 1919, estreou na Primera División, organizado pela Asociación de Fútbol de Santiago. No ano seguinte, foi o goleador do Magallanes que levou os títulos da Copa Félix Alegría, da Copa Alberto Downe, da Copa 12 de Octubre e da Copa República de la Asociación de Santiago. Em 1921, estabelecido na ponta-esquerda, voltou a vencer o título da Copa República. No ano de 1924, foi convocado para defender a seleção chilena no Sul-Americano disputado no Uruguai em que o Chile perdeu as três partidas contra os anfitriões, a Argentina e o Paraguai. Em 1925, Arellano e um grupo de jogadores tiveram um desentendimento com a diretoria do Magallanes. Esse grupo deixou a equipe albiceleste, e decidiu criar um novo clube. Essa decisão mudaria a história do futebol chileno, afinal, nascia ali o Colo-Colo, futura equipe mais popular do país.

Na recém-formada agremiação, Arellano seguia marcando gols e ajudou na conquista de dois títulos: a segunda divisão da Liga Metropolitana de Deportes e a Copa dos Campeões de Santiago. Seu prestígio como capitão, e também como diretor-técnico, o levaram a comandar a seleção nacional no Sul-Americano de 1926, sediado no Chile. Ali foi o grande momento do atacante, que marcou 7 gols e foi artilheiro máximo da competição.


Em 1927, o Colo-Colo decidiu dar um passo importante em sua história, fazendo sua primeira grande excursão internacional, partindo inicialmente pelas Américas e posteriormente pela Europa, entre janeiro e julho daquele ano, sendo o primeiro clube chileno a jogar em solo europeu. Na primeira escala no Equador, foram duas partidas, duas goleadas por 7 a 0, e 5 gols de Arellano. Em Cuba, uma vitória e uma derrota. No México, onde a equipe ficou por dois meses, foram disputados 12 jogos, com 10 vitórias chilenas, um empate e uma derrota. No início de abril, desembarcaram em La Coruña, na Espanha, onde fizeram três jogos (1v. 1e, 1d), e Arellano começava a se destacar por suas "chilenas". Depois, uma rápida passagem por Portugal, com duas derrotas e uma vitória sobre um combinado de jogadores de Sporting e Benfica. Na volta à Espanha, em 24 de abril, o Colo-Colo perdeu para o Atlético de Madrid por 3 a 1. No dia 1º de maio, Arellano abriu a goleada de 6 a 2 em cima do Real Unión Deportiva (futuro Real Valadollid). O que ninguém poderia imaginar, é que esse seria seu último gol. 

No dia seguinte, Colo-Colo e Real Unión se enfrentariam novamente e empataram por 3 a 3. Em um lance banal, durante uma disputa de bola aérea, Arellano, então com 24 anos, acabou vendo o zagueiro David Hornia, cair com o joelho sobre seu estômago. Mais tarde, foi constatada uma inflamação traumática no peritônio, uma membrana que reveste parte do abdômen, e que acabou causando sua morte na tarde do dia 3 de maio. Algo que, provavelmente, pudesse ser facilmente revertido nos dias de hoje. Inicialmente, o corpo de Arellano foi velado e enterrado em solo espanhol. Em 1929, seus restos mortais foram trazidos ao Chile e deixados no Mausoléu dos Velhos Craques do Colo-Colo, em Santiago. No Chile, chorava também uma jovem garota, de nome Berta, que havia tido um filho com Arellano, chamado Omar Alfonso.

Com jogos já marcados, o Colo-Colo ficou na Espanha até o dia 14 de junho. Em julho, ainda fez outras três partidas no Uruguai e uma na Argentina antes de regressar ao Chile. Dali em diante, o clube decidiu carregar eternamente no peito a lembrança de Arellano, que viveu e, literalmente, morreu pelo clube que ajudou a criar.

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Texto originalmente postado em 26 de dezembro de 2015, no blog Escrevendo Futebol, e editado em 07 de maio de 2019.

Imagens: Memoria Chilena. 



Ramiro Castillo era um talento raro se levarmos em conta o histórico de craques de seu país, a Bolívia. Nascido em 27 de março de 1966, na pequena localidade de Coripata, a 100 km de La Paz, Castillo tinha o futebol como paixão, e assim como a grande maioria de seus colegas, via o The Strongest como maior expoente. E em 85, aos 19 anos, realizou o sonho de vestir o manto aurinegro como profissional. Apesar do corpo franzino e de sua baixa estatura (tinha apenas 1,65m), era veloz e habilidoso, e foi uma das principais peças do The Strongest campeão boliviano de 1986, o segundo título nacional da história do clube. Logo recebeu o apelido que o acompanhou durante a carreira: Chocolatín, em referência a sua cor de pele. 

Seu sucesso dentro de campo se refletia fora dele. Ramiro se casara há pouco com Maria del Carmen, uma colega desde a adolescência. "Tínhamos 15 anos quando fomos apresentados. Mas começamos a sair quando eu estava na universidade e ele no The Strongest. Um dia nos encontramos na rua e ele pegou meu telefone. A partir desse encontro casual começamos a nos encontrar. Nos casamos no ano seguinte e imediatamente fomos viver na Argentina, pois logo surgiu a possibilidade de jogar no Instituto de Córdoba", disse Maria, em entrevista ao El Alto Bolívia. Em 87, Ramiro passou a defender o pequeno Instituto, da Argentina. 

Em 88, subiu mais um degrau, assinando dessa vez com o Argentinos Juniors. Seu técnico, Oscar Dertycia disse certa vez: "Se Chocolatín fosse brasileiro ou argentino, certamente valeria milhões". No ano seguinte, foi convocado para a seleção nacional para a disputa da Copa América, no Brasil. Disputou duas partidas no Serra Dourada, na derrota por 3 a 0 diante do Uruguai e no empate sem gols contra o Equador. Além disso, chegou a semifinal da Supercopa da Libertadores. Após duas temporadas no Bicho, foi contratado pelo poderoso River Plate. Na boa equipe comandada por Daniel Passarella, acabou não conseguindo o mesmo destaque, mas ainda assim, foi convocado para a Copa América de 91, no Chile, onde novamente a Bolívia saiu do torneio sem vencer. Na sequência, passou por Rosário Central (91) e Platense (92), se tornando o único boliviano a atuar por cinco equipes diferentes na Argentina, além de ser o boliviano com mais partidas no campeonato argentino, atuando em 152 oportunidades e marcando 10 gols.


Antes de retornar ao seu clube de origem, Ramiro disputa mais uma Copa América, a do Equador, em 93. Nova campanha sem triunfos. Entretanto, nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, a Bolívia surpreendeu a todos e se classificou em segundo lugar do grupo B com 11 pontos, um a menos que o líder Brasil, de Romário e cia. Aliás, aquele time venceu o Brasil na altitude de La Paz por 2 a 0, sendo a primeira derrota da seleção brasileira na história das Eliminatórias. Ao término do jogo, Ramiro deu uma volta olímpica com seu filho, José Manuel, de 3 anos, nos ombros. Mal sabia que o destino lhe pregaria uma peça justamente em outro confronto diante do escrete verde-amarelo. 

Na Copa do Mundo dos Estados Unidos, a seleção boliviana não conseguiu apresentar o mesmo futebol das Eliminatórias, e terminou o torneio em último lugar do difícil Grupo C, com apenas um ponto. Ramiro atuou por apenas 28 minutos, na derradeira partida em que a Espanha venceu por 3 a 1. Mas aquele grupo de jogadores ainda mostraria que tinha muito mais a oferecer ao futebol boliviano. De 93 a 96, Chocolatín atuou pelo The Strongest, mas não conseguiu grande êxito, apesar de ser um grande ídolo da torcida e do país. O último título do clube havia sido em 93, antes da chegada de Ramiro, e só voltaria a conquistar o título nacional em 2003.

A vida de Ramiro sempre foi tranquila dentro e fora dos gramados. Por isso, certamente, 1997 foi o ano mais intenso de sua vida. No início do ano, desembarcou em Viña del Mar, no Chile, para jogar pelo Everton. Apesar do pouco tempo no clube chileno, realizou partidas memoráveis, e por pouco não ajudou o clube a retornar para a primeira divisão nacional.

Ainda em 1997, apesar de stronguista, Ramiro assinou com o arquirrival Bolívar, graças a Javier Ortuño, dirigente que sabia que estava a fazer grande negócio. “Ele era um grande stronguista, mas conseguimos chegar a um acordo. Sua contratação pelo Bolívar foi a notícia do ano. Era uma pessoa honesta e de uma só palavra. Além do talento, se preocupava com os mais jovens", disse o dirigente.


Em seguida, Ramiro foi convocado para uma nova Copa América. Dessa vez, em solo boliviano. A Bolívia caiu no grupo B. Apesar do grupo relativamente fácil, não se esperava tão boa campanha. A Bolívia venceu as três primeiras partidas da 1ª fase e não tomou gols: 1x0 na Venezuela, 2x0 no Peru e 1x0 no Uruguai. Nas quartas de final, encarou a Colômbia, mas em grande partida de Etcheverry e Erwin Sánchez, a Bolívia alcançou as semifinais. 

O adversário agora era o México, que ainda saiu na frente, com Nicolás Ramírez. Erwin Sánchez empatou em cobrança de falta espetacular, e ainda no primeiro tempo, foi a vez de Ramiro Castillo deixar sua marca. Sánchez bateu falta com força, a bola bateu na barreira e desviou em Ramiro. Era a virada boliviana, que ainda marcou o terceiro com Jaime Moreno. A Bolívia estava novamente em uma final de Copa América, e podia repetir o feito de 1963. 

A final, no dia 29 de junho, seria contra o poderoso Brasil que havia massacrado todos os adversários até então. Mas a confiança era enorme, inclusive para o retraído, mas sempre sorridente Ramiro. Durante a preleção, chega uma notícia avassaladora. José Manuel, de 7 anos, filho de Ramiro, foi internado às pressas com uma insuficiência hepática fulminante. Sem Ramiro e abalados pela notícia, a Bolívia lutou bravamente, mas acabou derrotada. Em campo, e fora dele. No placar da final, o Brasil venceu por 3 a 1. No placar da vida, Ramiro Castillo sofreu um gol contra. José Manuel não resistiu e acabou falecendo.

A dor de perder um filho passou a ser insuportável para Ramiro, que ainda tentou superar a tristeza com o futebol, mas não obteve sucesso. Seu último gol foi marcado pelo Bolívar, em sua última partida com a camisa celeste. Vitória de 3 a 1 sobre o Destroyers. O jogador que por 52 vezes vestiu a camisa da Bolívia, realizou sua última partida representando a seleção nacional no dia 12 de outubro, em Guayaquil, na derrota por 1 a 0 para o Equador pelas Eliminatórias. "Era um rapaz muito simpático e que alegrava o grupo junto com seu irmão mais novo, Iván. Não abandonava seu mate de coca. Tínhamos medo de que ele caísse em algum teste anti-doping", disse aos risos Guido Loayza, ex-presidente da Federação Boliviana, em entrevista a rádio FM Bolívia.


Na manhã do dia 18 de outubro de 97, um dia após a data que seria o aniversário de 8 anos de José Manuel, um sábado, Ramiro é encontrado morto em sua casa com uma gravata amarrada ao pescoço. A autópsia indicou que não havia nenhum resquício de drogas ou álcool no sangue de Ramiro. Foi enterrado ao lado de José Manuel.

Sua morte causou comoção imediata. O clássico entre Bolívar e The Strongest, do qual Ramiro provavelmente seria o grande protagonista, e que seria disputado no domingo, foi cancelado. Por dificuldades para conseguir voos comerciais, a Força Aérea Boliviana enviou um avião para a Argentina para buscar Ivan Castillo, irmão de Ramiro, e que jogava no Gimnasia de Jujuy. O irmão mais velho de ambos, Eloy, em uma crise emocional, solicitou inclusive a exumação do corpo, pois não acreditava que seu irmão tiraria a própria vida.

Maria del Carmín, apesar do choque de perder um dos filhos e o marido em questão de meses, teve de seguir em frente, afinal, tinha outros dois filhos para criar, Ramiro Jr. e Marjorie. "Foi muito difícil. O motivo principal para seguir adiante foram meus dois filhos. Me custou muito superar a depressão, estive medicada durante muitos meses. Me sinto muito nostálgica quando recordo essa época".

O legado de Ramiro permanece na escola de futebol que havia criado em El Alto, da qual Maria cuidou até meados de 2012. "Foi difícil me adaptar sem eles, mas Ramiro me deixou uma linda herança: a escola de futebol. Essa ocupação me manteve à tona e preencheu meus dias. Tinha a meta de continuar e fazer possível o sonho de Ramiro quando fundou a escolinha. Isso e a força de Deus é que me mantiveram em pé". Sem conseguir manter mais a escola, ela foi vendida. Mas com uma condição: que se mantivesse o nome de Ramiro Castillo.

"Me sinto muito satisfeita em ver meus filhos felizes. Apesar da tristeza, sempre lhes disse. 'Olhar pra trás nem para tomar impulso'. Agora nós temos uns aos outros para viver sem eles. Ramiro e José Manuel sempre estarão em nossas memórias, não apenas em datas especiais, mas em todos os dias da nossa vida".

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Texto originalmente postado em 9 de setembro de 2015, no blog Escrevendo Futebol, e editado em 30 de abril de 2019.
"Inundação da Várzea do Carmo", óleo sobre tela pintado por Benedito Calixto em 1892 

Existem várias teorias sobre a chegada do futebol ao Brasil. Todas apresentam seus indícios e seus pioneiros, e embora, aparentemente o futebol já vinha sendo praticado em alguns pontos do país, o jogo conhecido como o pontapé inicial do futebol brasileiro foi organizado por Charles Miller. Foi em um domingo, dia 14 de abril de 1895, que Miller, então um jovem rapaz de 21 anos, reuniu funcionários da São Paulo Railway, empresa responsável pela estrada de ferro que ligava Santos a Jundiaí, e da The Gas Company, fornecedora de gás da capital paulista.

O local escolhido foi a Várzea do Carmo, região central da cidade, onde hoje, em meio a selva de pedra, está o Parque Dom Pedro, e que na época era inundada no verão pelo Rio Tamanduateí. A área exata onde a partida aconteceu é desconhecido, mas Miller relatava que o campo ficaria entre as ruas do Gasômetro e Santa Rosa.


The São Paulo Railway Team venceu o The Gas Works Team por 4 a 2. Porém, sabe-se apenas que Charles Miller marcou dois desses gols. O primeiro jogador a marcar um gol na história do futebol brasileiro está eternizado na condição de anônimo, assim como os outros jogadores. Segundo o biógrafo de Charles Miller, o historiador John Mills, não sobrou nada daquele jogo, a não ser um relato de Miller ao jornalista Thomas Mazzoni, publicado na revista A Gazeta Esportiva, em 1942. "Ao chegar ao capinzal, a primeira tarefa que realizamos foi enxotar os bois da Cia Viação Paulista, que tosavam a relva pacificamente. Logo depois iniciávamos nosso jogo, que transcorreu de forma interessante, sendo que alguns dos companheiros jogaram mesmo de calças compridas, por falta de uniforme adequado" afirmou o pioneiro. Além desta partida, Charles Miller foi um dos primeiros craques do esporte no país, contribuindo para sua expansão ao formar novos clubes, ligas e atuando até mesmo como árbitro.

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Texto originalmente postado em 20 de agosto de 2015, no blog Escrevendo Futebol