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Trinta e três jogadores entraram em campo em quatro Copas do Mundo diferentes. Entre eles, está o australiano Tim Cahill, único oceânico a cumprir tal marca. Com cinco gols em Mundiais, dois títulos continentais e 50 gols em 107 jogos pelos Socceroos, Cahill se despede do futebol internacional - e talvez pendure de vez as chuteiras.

Refletindo as relações sociais dos tempos atuais, não haveria jeito melhor de se despedir. Por meio de um tweet, Tim Cahill se aposentou do futebol de seleções na última segunda-feira, 16. "Hoje é o dia que oficialmente penduro minhas chuteiras na minha carreira internacional com os Socceroos. Palavras não podem descrever o que significou representar o meu país. Muito obrigado para todos os que torceram durante todos esses anos vestindo o emblema australiano".

Foram 14 anos como atleta da Austrália, mas sua história de recordes e títulos quase não aconteceu. Filho de pai inglês e mãe samoana, Cahill se destacava desde cedo. Em 1994, seu pai recebeu um telefonema da federação de Samoa Ocidental. A entidade estava, naquele momento, buscando atletas que pudessem representar o país nas eliminatórias para o Mundial sub-20. Inicialmente o interesse era em um dos irmãos de Cahill, mas o garoto, de então 14 anos também foi convidado. Segundo Cahill,  a chance de revisitar a avó materna falou mais alto na decisão do que qualquer fator esportivo e ele nem esperava atuar, já que ele era apenas um garoto em uma competição sub-20. Na obscura competição, Cahill atuou nas derrotas para Nova Zelândia e Vanuatu, ambas com resultado de 3 a 0, e sempre entrando na segunda etapa. Foram as duas únicas vezes que representou Samoa Ocidental.

Três anos depois, Tim Cahill partiu para a Inglaterra para atuar no Milwall, ainda nas categorias de base do clube inglês e logo em sua primeira temporada como profissional, o meia foi peça fundamental na campanha que culminou no vice-campeonato da Copa da Liga de 99. E, claro, isso despertou a atenção da Austrália, que decidiu convocá-lo, já de olho nas Olimpíadas de 2000, sediada em Sydney, terra-natal de Cahill. Mas na época, a regra da FIFA impedia que um jogador que já tivesse representado outro país de maneira oficial, independente da categoria, pudesse atuar por outra seleção. "Eu jamais pensei no impacto que jogar aquela competição teria na minha carreira", disse na época um inconformado Cahill. Mesmo fora dos gramados, ajudou a mudar o futebol. Afinal, ele foi um dos principais pivôs da mudança de regra, efetivada em 2004, e que permitia que atletas atuassem por outras seleções durante a formação antes de estrear definitivamente no futebol profissional. 


Finalmente com a camisa amarela, Cahill pôde mostrar todo seu potencial e iniciar uma história única no futebol da Oceania - e também no asiático. Com a Austrália ainda como parte da OFC, Cahill fez sua estreia internacional em 2004 e conquistou a Copa da Oceania, com 6 gols durante a campanha, e disputou as Olimpíadas da Grécia. Com isso, foi eleito o Melhor Jogador da Oceania em 2004. No ano seguinte, foi titular no jogo da volta da repescagem para a Copa do Mundo, diante do Uruguai. Após perder a ida em Montevidéu por 1 a 0, a Austrália venceu a volta, em Sydney, também por 1 a 0 e se classificou nos pênaltis depois de quatro derrotas em repescagens (86, 94, 98 e 2002). Em 2006, marcou duas vezes na estreia da Copa do Mundo contra o Japão, e se tornou no primeiro australiano a marcar em um Mundial. Em 2007, também deixou sua marca com o primeiro gol da Austrália na história da Copa da Ásia.

No Mundial de 2010, a Austrália não foi tão bem como quatro anos antes, quando alcançou as oitavas de final e acabou eliminada ainda na primeira fase. E apesar da expulsão na estreia contra a Alemanha, Cahill ainda voltou a fazer história marcando no jogo de despedida, contra a Sérvia. Em 2011, na Copa da Asia, a Austrália disputou a final diante do Japão, mas acabou derrotado por 1 a 0, de maneira dramática. Mas a carreira de Cahill merecia mais. Em 2014, mesmo em um grupo difícil, a Austrália mostrou bom futebol, apesar das três derrotas. E o camisa 4 e capitão australiano marcou duas vezes. O primeiro na estreia, na derrota por 3 a 1 contra o Chile. E o segundo contra a Holanda, em um dos melhores jogos da Copa no Brasil. Contra a forte Holanda, a Austrália chegou a ter a vitória por 4 minutos, mas acabou sofrendo a virada e perdendo por 3 a 2. O gol de Cahill, um chutaço de primeira de pé esquerdo entrou para a lista de gols mais bonitos já vistos na principal competição do futebol mundial.

Em 2015, a Austrália sediou a Copa da Ásia, e conquistou o título com mais uma participação de destaque de Cahill, autor de três gols na campanha vitoriosa. Depois disso, mesmo longe das condições físicas ideais, seguiu sendo convocado e foi novamente importantíssimo para classificar o país para mais uma Copa. Na difícil eliminatória contra a Síria, Cahill marcou o gol que selou a classificação australiana para a repescagem intercontinental, em que o país derrotou Honduras para chegar ao quarto Mundial consecutivo. Foi o 50º e último gol de Cahill com a camisa da Austrália. Apesar dos modestos trinta minutos que atuou no último jogo da Austrália na Copa de 2018, na derrota por 2 a 0 frente ao Peru, Cahill encerrou sua passagem como selecionável como o maior artilheiro da história da Seleção no geral, maior artilheiro do país em Copas do Mundo e também em Copas da Ásia. Após deixar o Milwall no fim da temporada 2017-18, Cahill ainda não anunciou se seguirá jogando em outro clube ou se encerra definitivamente sua carreira como jogador de futebol. Mas já deixa uma lacuna enorme no futebol de Seleções.

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