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Equipe do Mangueira, no dia da maior goleada da história do futebol brasileiro (Reprodução/Placar)

Inúmeros clubes de futebol nasceram e desapareceram em poucas décadas, deixando uma história de glórias ou de fracassos. No Rio de Janeiro, um dos berços do futebol de elite brasileiro, houve espaço para equipes de todas as matizes. Do regatiano Flamengo, que se tornou na equipe mais popular do país ao suburbano e operário Bangú. E também equipes como o rubro-negro Sport Club Mangueira, que discreto em resultados, ficou para a história como a equipe que sofreu a maior goleada da história do futebol nacional.

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A fundação do Mangueira é um reflexo da época amadora do esporte, em que uma parte considerável dos clubes se formava dentro das indústrias e fábricas. Do bairro da Tijuca, subúrbio carioca, o Mangueira foi concebido pelas mãos, pés e mentes dos irmãos Lebre e por operários da fábrica Chapéus Mangueira no dia 29 de julho de 1906. As cores do Mangueira eram o vermelho e preto, embora utilizassem também uniformes brancos e há registros de camisas tricolores, em desenho similar às camisas reservas do São Paulo.

 Escudos utilizados pelo Mangueira, de acordo com pesquisas do site Cacellain

Inicialmente, o rubro-negro tijucano, que era um clube poliesportivo, jogava apenas partidas entre os diferentes quadros internos ou torneios de outras ligas, como a Liga Suburbana. Até que em 1909, enfim, o clube participou de seu primeiro campeonato carioca, ou melhor, o campeonato do Distrito Federal do Rio de Janeiro. Mas os demais integrantes da liga já eram experimentados e obtinham mais recursos para montar boas equipes, o que ficou evidenciado na grande maioria dos jogos da história do Mangueira: de acordo com a Revista Placar de julho de 1977, o clube participou de 118 jogos oficiais, sofrendo 96 derrotas, empatando 8 jogos e tendo apenas 14 vitórias.

Em 30 de maio de 1909, o Mangueira enfrentou o Botafogo no campo da Rua Voluntários da Pátria, o primeiro estádio do alvinegro carioca. Desfalcado, o Mangueira atuou com apenas dez jogadores: Luiz Guimarães, José Perez e Carlos Mongey; Victor, Jonas Cunha e Justino Fortes; Alberto Rocha, João Pereira, Menezes e Maranhão. Já o Botafogo, atual vice-campeão, estava completo e não teve dó alguma da fragilidade do adversário. Com nove gols de Gilbert Himé, sete de Flávio Ramos, dois de Monk, dois de Lulú Rocha, e quatro gols compartilhados por Raul Rodrigues, Dinorah, Henrique Teixeira e Emmanuel Sodré, o alvinegro aplicou a maior goleada da história do futebol brasileiro, um recorde que perdura até hoje.

A humilhante derrota trouxe problemas internos, que culminou no pedido de demissão do capitão da equipe, João Pereira, como foi anunciado no jornal Rio Sportivo de 22 de junho: “Em reunião da diretoria foi aceita a demissão pedida pelo captain sr. Pereira. Pensamos ter o sr. Pereira cumprido com uma obrigação pois seria ridículo continuar a desempenhar esse cargo de confiança, estando em completo desacordo com a diretoria e a maioria dos sócios e mesmo depois de uma ‘inqualificável derrota’ “. Na partida seguinte, no dia 27, diante do America, derrota por 8 a 0.

Quadros do Mangueira, em amistoso de 1923 (Reprodução/O Malho)

Naquele tempo, além das equipes principais, se enfrentavam também os segundos e terceiros quadros, em partidas preliminares. E o Mangueira nunca teve sorte diferente, quase sempre sendo goleado pelos adversários. No mesmo dia que sofreu 24 gols no jogo principal, o Mangueira já havia perdido por 11 a 1 para o segundo quadro botafoguense. Depois de tanto sofrer, a equipe decidiu retirar-se do campeonato, depois do único empate que conquistou, em 2 a 2, diante do Haddock Lobo.  

A goleada para o Botafogo não foi o único vexame a entrar nos registros de recordes. O Mangueira também foi derrotado pelo Flamengo por 16 a 2, em 1912. É até hoje a maior vitória da história do clube da Gávea - que diga-se, foi a primeira partida oficial do rubro-negro, que havia acabado de aderir ao futebol. De 1909 a 1924, o Mangueira participou de nove edições do campeonato da então capital federal, colecionando goleadas sofridas, desistências e até acusações de antidesportividade.

Na década de 20 passou sua sede para a Rua Desembargador Isidro, onde hoje é sediado o Tijuca Tênis Clube, e resistiu até 1927, quando foi extinto. Fontes diversas afirmam que o clube teria sido incorporado pelo Flamengo. A extinção do Mangueira, porém, não foi o fim para a realização cultural da região. No ano seguinte, em 1928, nasceu o maior símbolo do Morro da Mangueira: a escola de samba Estação Primeira de Mangueira, uma das maiores campeãs do Carnaval do Rio de Janeiro.

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2 comentários:

  1. Essa goleada pelo placar de 24 a 0 de fato é a maior do futebol brasileiro, muitas vezes citada nas revistas e livros. O "também" placar elástico para o America na partida seguinte até que ficou modesto se comparado ao do Botafogo.
    No álbum de figurinhas da Copa União de 1987 que tenho, na biografia do Flamengo cita essa goleada por 16 a 2 com os seguintes dizeres: "Nunca mais o Flamengo parou de dar chapéus em todo o mundo". Foi uma referência ao fato do Mangueira ser de uma indústria que fabricava chapéus.
    Claro, ainda mais na época, é normal que um time com resultados tão ruins não sobreviva, porém confesso que fiquei surpreso que tenha disputado até por um bom tempo (15 anos) o Campeonato Carioca.

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    1. Olá Mauricio! Agradeço o comentário ainda mais vindo de uma referência em pesquisa esportiva. Um abraço!

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