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Durante a história da América Latina, Brasil e Colômbia, embora dividam parte da Amazônia na totalidade de seus 1643 km de fronteira, tiveram poucos momentos de integração. As relações entre os dois países só passaram a ocorrer mais ativamente a partir do governo Lula, em 2002, tendo um aumento anual de 16,46% nas transações comerciais até 2010. No entanto, de acordo com dados do Itamaraty, em 2014, a Colômbia, apesar de ser a 3ª maior economia do continente, é apenas o 7º principal parceiro comercial do Brasil na região, dados mantidos até aqui de acordo com o Atlas da OEC (Observatory of Economic Complexity). A falta de relações culturais também chama a atenção. Ao invés de ser um elo de conexão, a floresta amazônica traz mais entraves e diferenças do que semelhanças. Além, claro, do óbvio distanciamento que o Brasil sempre teve diante do restante da América Espanhola.

Porém, o futebol apareceu como um traço de personalidade comum entre os dois povos, que se tornaram de fato irmãos apenas após a maior tragédia aérea envolvendo esportistas da história. Em 29 de novembro de 2016, o voo que levava a delegação da Chapecoense para a disputa da partida de ida da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional, sofreu um acidente que vitimou 71 pessoas e deixou apenas 6 sobreviventes. A partir dali, e da solidariedade do povo colombiano para com o brasileiro, é impossível não ter um carinho especial pelos nossos vizinhos geográficos.

Quase dois anos depois da tragédia, a mesma Copa Sul-Americana coloca novamente frente a frente uma equipe brasileira e uma colombiana na decisão. Mas antes de tudo, ainda há as semifinais, em disputas domésticas. No Brasil, Atlético Paranaense e Fluminense lutam por uma vaga para enfrentar o vencedor do duelo colombiano, entre Independiente Santa Fé e Junior Barranquilla.

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Atlético Paranaense e Fluminense possuem tamanhos diferentes. Enquanto o rubro-negro é uma força emergente nas últimas décadas, sendo um clube disposto a se intrometer no clube dos 12 grandes clubes brasileiros, o tricolor carioca é uma equipe historicamente consolidada no cenário nacional, mas que ainda tem contas a acertar nas competições internacionais. Entretanto, apesar das diferenças, Atlético e Fluminense possuem poucas, mas curiosas ligações históricas, a começar pelo mascote “Cartola”, representação da elite que originou os clubes. Paranaense e cariocas também dividem a idolatria de alguns jogadores, como o “Casal 20”, Washington e Assis, dupla que levou títulos pelos dois times na década de 80, e o centroavante Washington “Coração Valente”, artilheiro do Brasileirão com as duas camisas, em 2004 e 2008.

No histórico dos confrontos, o Furacão leva ligeira vantagem. Em 47 jogos, são 20 vitórias rubro-negras, 17 tricolores e 10 empates. Em confrontos eliminatórios, há grande equilíbrio. O mais recente, melhor para o Fluminense. Na Copa do Brasil de 2007, o Flu venceu o Atlético na Arena da Baixada por 1 a 0 depois de empatar em 1 a 1 no Rio, na fase de quartas-de-final. O título nacional acabou ficando com o Tricolor. Em 2001, o duelo também precedeu um título nacional, mas dessa vez em favor do Atlético. Em jogo único, em Curitiba, o time da casa venceu por 3 a 2, com três gols de Alex Mineiro. Já o histórico dos times na Sul-Americana traz eliminações sofridas. O Atlético caiu nas semifinais de 2006 diante do mexicano Pachuca, sofrendo uma derrota mínima dentro de casa e no México uma goleada por 4 a 1. O Fluminense tem traumas piores, como a eliminação no ano passado frente ao Flamengo, nas quartas-de-final, e o vice-campeonato de 2009, quando apenas um ano depois de perder o título da Libertadores, sofreu nova derrota para a LDU.


O momento das duas equipes é similar também. Dentro da competição continental, são as duas melhores campanhas. Enquanto o Flu teve 6 vitórias, 1 empate e 1 derrota, o Atlético teve 6 vitórias e duas derrotas. Além disso, se enfrentam a melhor defesa do torneio (3 gols sofridos/Flu) e o melhor ataque (15 gols/CAP). No Brasileirão, os rivais desta semifinal estão colados na tabela. O Atlético está na 9ª colocação, com 43 pontos e vinha de uma sequência de 4 jogos sem perder. Em 10º, com 40 pontos, está o Fluminense, um pouco mais oscilante.

Apesar da tradição do Flu, é o Atlético quem possui leve favoritismo. O Atlético só cresceu de produção nas mãos do técnico Tiago Nunes, que encontrou o equilíbrio que faltava ao time de Fernando Diniz. Jogando a maior parte do tempo no 4231, com grande apoio dos laterais, o Atlético costuma dominar a posse de bola. E mesmo quando isso não ocorre, dá muito trabalho ao adversário com velocidade na transição ofensiva. É uma equipe que mescla como poucos jogadores de larga experiência, como Lucho González, com jovens provenientes da base, como Bruno Guimarães, que embora não seja titular absoluto, é um dos xodós da torcida atleticana. Além disso, o Atlético conta com a boa fase de diversos atletas, como o atacante Pablo, artilheiro na temporada com 12 gols, o meia Raphael Veiga, autor de 6 gols e 5 assistências no ano, e o goleiro Santos, um dos heróis das últimas classificações.

O Fluminense poderia espelhar o desenho tático do Atlético, se ao menos a ideia inicial de Marcelo Oliveira tivesse dado certo. Com pouco material humano e desempenho bastante insatisfatório, Oliveira decidiu retornar ao 352 já implantado por seu antecessor, Abel Braga, e a mudança surtiu efeito favorável. O Tricolor tem atuado melhor, embora os resultados ainda estejam abaixo do que se espera.

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A semifinal colombiana coloca frente a frente duas equipes tradicionalíssimas no cenário doméstico, além de ter, entre as quatro equipes que restaram nesta fase da competição, o único time que já levantou a taça da Sul-Americana: o Santa Fé, em 2015. Junior Barranquilla e Independiente Santa Fé reúnem 20 títulos nacionais entre campeonatos e copas.


Atualmente, o Junior Barranquilla é o sexto colocado do Clausura colombiano, a apenas 4 pontos do líder La Equidad, faltando uma rodada para o fim da primeira fase. O elenco do time de Barranquilla é formado quase integralmente por colombianos, com exceção do experiente goleiro uruguaio Sebastián Viera, vice-campeão espanhol pelo Villarreal na década passada. O jogador mais conhecido do time é Teófilo Gutiérrez, sonho antigo de muitos clubes brasileiros e carrasco do Cruzeiro na Libertadores de 2015. É o artilheiro do Junior com 9 gols. O time do técnico uruguaio Julio Comesaña, de grande história no futebol colombiano, alterna entre o 4231 e o 433, de acordo com o adversário.

O rival Santa Fé vive situação um pouco mais delicada, em 9º, fora da zona de classificação e precisa vencer o Millionarios fora de casa na rodada final. Com um elenco veterano, com muitos jogadores acima dos 30 anos, há apenas o meia venezuelano Luis Seijas de conhecido dos brasileiros, após uma passagem não muito brilhante por Internacional e Chapecoense. O Santa Fé também é comandado por um uruguaio, Guillermo Sanguinetti, não tão experiente na função de treinador como o adversário compatriota. Taticamente, Sanguinetti costuma buscar variações, tendo atuado no 4141, no 4231 e no 433, mas em suas vitórias mais recentes, esteve sempre no 442. E quando a fase não é das melhores, o jeito é se agarrar no histórico. De acordo com o site Ogol, o Santa Fé venceu 17 dos 38 confrontos contra o Junior, que venceu 12, além de 9 empates.

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