O pontapé inicial da Libertadores



Quando a bola rolar nesta terça-feira, dia 5 de março, será dado início a fase de grupos da 60ª edição da Copa Libertadores da América. Embora a própria organização e a mídia envolvida no torneio não tenha se importado com a marca, aproveitamos a ocasião para relembrar o pontapé inicial do torneio, em 1960.

Ainda nomeada como Copa dos Campeões da América, moldada à imagem e semelhança da Copa dos Campeões da Europa, criada na década anterior, a Libertadores de 1960 reuniu sete campeões nacionais – era para ter sido oito, mas os peruanos do Universitario desistiram. A fórmula não poderia ser mais simples. Eliminatórias simples, em ida e volta, com quartas-de-final, semifinal e final. Os uruguaios do Peñarol acabaram sendo os campeões da edição inaugural ao eliminar Jorge Wilstermann-BOL, San Lorenzo-ARG e Olimpia-PAR. Foi também o Peñarol que participou da abertura da competição, em um jogo disputado no mítico Centenario, em Montevidéu. Os carboneros receberam o Jorge Wilstermann, campeão boliviano. Curiosamente, o Peñarol tinha sido o último representante definido, já que a decisão do campeonato uruguaio de 1959 havia acontecido apenas no dia 20 de março de 1960.

Além do fato do futebol boliviano ser de um nível muito abaixo das demais nações, o Peñarol dos anos 60 era uma das equipes mais fortes do planeta. Com isso, o Peñarol venceu com facilidade, aplicando um sonoro 7 a 1 diante de 28.700 pagantes. Carlos Borges foi o responsável pelo gol inaugural da competição, aos 13 minutos, e também pelo primeiro doblete,  ampliando o marcador aos 17. Três minutos depois, Luis Cubilla fez o terceiro. Depois, Alberto Spencer, o equatoriano que até hoje é o maior artilheiro da história da Libertadores, com 54 gols, marcou quatro vezes, registrando assim o primeiro hat-trick e o primeiro poker da competição. Máximo Alcócer fez o gol de honra dos bolivianos. O interesse da imprensa no torneio, ao menos por parte dos brasileiros, se mostrou ínfimo. Meras notas de rodapé noticiaram o verdadeiro massacre que o Peñarol impôs ao Jorge Wilstermann. Já por parte dos uruguaios, a partida recebeu total atenção dos meios de comunicação, naturalmente.

Da edição inaugural ao ano de 2019, a competição cresceu, ganhou prestígio, mas tem se afastado cada vez mais de sua própria identidade, além de sofrer desde seus primórdios pela desorganização institucional do futebol sul-americano. Milionária, oferecendo mais de 20 milhões de dólares em premiação, o torneio cai em descrédito diante de tanta bagunça fora das quatro linhas. Que ao menos dentro de campo, os jogadores façam jus aos grandes nomes do futebol do continente.


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